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Os contínuos aumentos dos preços dos combustíveis promovidos pela Petrobras, que já totalizam nove desde o começo do ano, têm pressionado os motoristas de aplicativos a deixar a atividade. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a gasolina teve alta de 37,51% nos últimos 12 meses, o etanol está custando 46,30% mais caro e o óleo diesel subiu 43,60%.

Conforme projeções de duas entidades ligadas ao setor – a Frente de Apoio Nacional ao Motorista Autônomo (Fanna) e o Clube dos Motoristas por Aplicativos –, quase metade do faturamento diário dos motoristas de aplicativo vai para encher o tanque.

Além disso, o número de corridas ainda não voltou ao patamar anterior à pandemia. Esses fatores, somados ao aumento dos custos de manutenção e, em muitos casos, dos juros sobre financiamento ou mesmo do valor do aluguel de veículos, tornaram a atividade, que já foi considerada uma alternativa de dinheiro rápido para desempregados, uma atividade desafiadora para aqueles que querem se tornar – ou se manter – profissionais desse mercado. De acordo com a Associação União Nacional Dos Motoristas de Aplicativo (UNMA), a elevação nos combustíveis e custos de operação já espantaram cerca de 30% dos motoristas de aplicativo da região de Curitiba e Litoral.

Muitos desses motoristas tiveram que devolver carros ainda não quitados às instituições financeiras e se socorreram no aluguel, provocando uma retomada de fôlego nas locadoras, em movimento inverso ao verificado durante os picos da pandemia, quando faltou espaço nos estacionamentos para guardar os veículos devolvidos e sem uso. Entretanto, os custos de operação das locadoras também subiram e, consequentemente, também o valor da locação, o que mais uma vez impacta no setor.

Como se não bastasse, para tentar não perder mais clientes, as plataformas estão mantendo os preços das corridas, o que acaba reduzindo novamente a remuneração dos condutores, que estão rejeitando viagens curtas por não compensar ou fazendo jornadas excessivas para conseguir fechar as contas. Na outra ponta, usuários reclamam de constantes cancelamentos de corridas, do custo das tarifas e do aumento do tempo de espera.

Entretanto, com a redução da quantidade de motoristas de aplicativos há a perspectiva que o mercado consiga encontrar um ponto de equilíbrio entre oferta e demanda, com preços mais realistas e que venha a compensar para os motoristas os aumentos nos combustíveis, valores de locação e financiamento.

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