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O presidente do Sindiloc-PR, Michel Lima, comenta os principais impactos econômicos causados pelo novo coronavírus. “As empresas que têm suas operações centradas em locação para aplicativos estão sofrendo muito mais do que as demais, pois o confinamento derrubou a utilização desse modal. As locadoras focadas no rent a car também estão com problemas pois, além da queda no turismo e viagens de negócios, os aeroportos estão praticamente parados com elevado custo fixo para quem tem essa operação”, avalia o presidente. Outras locadoras, fora dos aeroportos, estão em uma situação menos pior mas com dificuldades, pois há pouca procura para locação em diárias ou reposição para seguradoras.

“As empresas focadas em terceirização vêm sofrendo com a inadimplência, devolução de parte da frota e pedidos de desconto pela redução no uso dos veículos. Enfim, há os que sofrem menos, os que sofrem mais, mas todos sofrem. Algumas empresas já demitiram, fecharam filiais, e cortaram custos onde foi possível. Agora partem para redução de jornada de trabalho e salários”, explica Lima.

Inadimplência e rescisão de contratos

Conforme explicado pelo diretor jurídico do Sindiloc-PR, João Paulo Barbosa Lima, não existe consenso no judiciário sobre o encaminhamento das disputas judiciais nos casos de inadimplência e/ou rescisão dos contratos de locação, mais especificamente os de terceirização. “Uma vez que estamos em estado de calamidade pública e não se tem histórico recente de período como esse, as decisões possivelmente serão tomadas em benefício da parte mais fraca da corrente, o que pode significar que as sentenças venham a beneficiar os clientes em detrimento das locadoras”, comenta o advogado.

Acredita ainda que tudo vai depender de quantos empregos estarão em jogo na retirada dos veículos por inadimplência ou rescisão. A assessoria jurídica do Sindiloc-PR recomenda que sejam buscadas todas as alternativas negociáveis antes de fazer uma demanda jurídica, pois os riscos de derrota no judiciário são grandes e o prejuízo é quase certo.

Financiamentos e contratos

Os bancos estão permitindo que as parcelas de financiamento de veículos com vencimento em abril, maio e junho sejam pagas ao fim do contrato, sem alteração na taxa de juros contratada. Mas essa condição é exclusiva para clientes que estão adimplentes. Para novos contratos, as taxas já subiram e os bancos estão mais rigorosos na análise de crédito. Para capital de giro, os bancos não estão aceitando veículos em garantia, apenas imóveis com limite de liberação de até 70% do valor da avaliação bancária.

Ações emergenciais BNDES, capital e giro para MPME

O presidente do Sindiloc-PR informa que esse dinheiro ainda não chegou para as empresas. “O BNDES quer que os bancos comerciais, intermediários das operações que

envolvem repasse de dinheiro do BNDES, sejam avalistas nas concessões de crédito como sempre foram, e os bancos querem que o Tesouro Nacional seja o avalista, numa situação que torna o problema insolúvel”, comenta.

Mercado de seminovos, situação atual e perspectivas

“No momento se observa forte queda nas vendas nas lojas de seminovos, seja por conta dos diversos decretos que suspenderam as atividades não essenciais, seja pelo desinteresse do público em geral em adquirir veículos sem saber exatamente quais rumos a economia irá tomar nos próximos meses”, avalia Michel. Assim, percebe-se que para se desfazer dos veículos, muitas locadoras estão praticando descontos de até 25% na Fipe. “Apesar de isso significar uma grande perda em depreciação dos ativos das locadoras, é necessário avaliar fortemente essa opção antes de tomar empréstimos bancários. A impressão é de que, se esta crise se prolongar, o mercado de seminovos deve cair mais nos próximos meses por falta de demanda, pelo aumento do rigor na concessão de crédito pelos bancos e financeiras, e pelo aumento das taxas de juros que vão embutir mais risco. Ainda é cedo para tirar conclusões, mas dificilmente o cenário será diferente dessa previsão”, finaliza o presidente do Sindiloc-PR.

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