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A expectativa da Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis) para 2020 é que cada vez mais motoristas de aplicativos utilizem veículos alugados para oferecer suas corridas. No Brasil, a tendência tecnológica alcançou um em cada quatro motoristas. Atualmente, 150 mil motoristas já operam nesta modalidade. A situação no Paraná não é diferente.

O diretor tesoureiro do Sindiloc PR, Tércio Gritsch, avalia que o aluguel de veículos para aplicativos é um novo nicho de mercado dentro do setor. “Ele veio em grande parte substituir a locação RAC, outrora muito forte nas viagens de negócios. Antes da entrada dos aplicativos, as viagens de negócios eram um nicho muito importante para as locadoras, pois o aluguel era muito mais conveniente, se comparado ao serviço de táxi”, pontua.

Os motoristas de aplicativos verificaram que alugar o veículo de trabalho é muito mais conveniente e barato do que usar o próprio carro, atentando-se para a tendência moderna de pagar pelo uso, e não mais pela posse. “As locadoras têm cada vez mais se voltado a esse setor, tendo em vista o número de 600 mil motoristas já cadastrados nessa modalidade. Várias empresas têm se especializado nesse sentido, oferecendo diferenciais aos motoristas. Claro que nem tudo são flores. É um segmento que exige muita atenção das locadoras, para evitar problemas futuros com recebimento de tarifas, acidentes, multas, etc. O contrato deve ser específico para essa modalidade”, indica.

 Reviravolta

Já o diretor do Sindiloc de Londrina e sócio proprietário da Alugue Fácil Veículos, Carlos Eduardo, confessa que a chegada de aplicativos no Paraná causou receio a muitos empresários. “Acreditamos que este seria o início de nossa falência. Mas foi um grande engano, pois muitos sobrevivem desse mercado que trouxe consigo muitas evoluções”, frisa.

As cidades com maior número de habitantes do estado já contam com um número significativo de adeptos a aplicativos. “Trabalhamos há algum tempo com esse segmento. Fomos impulsionados pelas grandes locadoras, ainda sem termos o conhecimento funcional. Adotamos por falta de opção, e quem ainda não aderiu precisará se adaptar, por conta da tendência da tecnologia. É um caminho sem volta”, detalha.

 Ele explica que as normas para o aluguel nesta modalidade seguem o padrão. Exigência de cartões de crédito, para bloqueio de um valor que varia de locadora para locadora, locação com cheque caução ou alguma outra garantia. “Alguns até alugam com promissórias, dentro do valor da franquia. Já locadoras maiores têm acordo com empresas de aplicativos, que repassam semanalmente parte dos rendimentos do locatário à locadora”, explica Eduardo.

Locadoras Piratas

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Por outro lado se observa que pessoas físicas têm adquirido veículos para alugar para amigos e conhecidos trabalharem com aplicativos. São “locadoras” informais que não recolhem impostos, omitem esse fato das cias seguradoras, o que é fraude, e possuem um controle precário sobre a manutenção dos veículos, o que pode colocar em risco usuários e motoristas. Além disso expõem os proprietários dos veículos aos problemas característicos das locadoras legalizadas, como as consequências da aplicação da Súmula STF 492 em acidentes de trânsito.“Se essas pessoas conhecessem a responsabilidade solidária ao entregar um veículo para outro dirigir talvez repensassem sua estratégia”, diz o presidente do Sindiloc-PR.

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