Esses dias minha esposa estava me contando que o marido de uma amiga que trabalha em Dubai estava tirando um ano sabático. Ele pediu demissão de um emprego maravilhoso para ficar um ano morando na Espanha, provavelmente em Ibiza. Depois desse período já está contratado para retornar para Dubai em outro emprego ainda melhor. Fiquei morrendo de inveja. Não pelo ano sabático em si, mas por ele conseguir fazer um planejamento de médio prazo.

No Brasil não conseguimos planejar quase nada. Mal conseguimos ver o que nos espera nos próximos dois meses. Aquilo que já ouvimos falar tantas vezes é a mais pura verdade: O Brasil não é para amadores. Por isso que executivos de multinacionais que se dão bem aqui acabam sendo promovidos para outras unidades de negócio ao redor do mundo. O sujeito tem que ter um jogo de cintura, uma rapidez de raciocínio, uma agilidade na tomada de decisão e…. muita sorte.

A greve dos caminhoneiros está aí para mostrar que no país nada é impossível. Pararam o país literalmente. E foi uma greve para pedir, ou melhor exigir, a estatização do transporte rodoviário de cargas. Sim, porque exigir tabelamento de fretes, redução de pedágio e do diesel, e que o governo regule tudo isso como se não houvesse a lei da oferta e da procura, só pode acontecer numa empresa estatal ou num regime comunista. E a greve conseguiu de uma só vez demitir um presidente da Petrobrás que estava recuperando a estatal de 13 anos de rapinagem, derrubar o PIB em 0,5%, aumentar a inflação em outros 0,5% e mostrar toda a fragilidade de um governo que não consegue dialogar com caminhoneiros, imagine fazer política no Congresso.

Mas como no Brasil os problemas nunca aparecem sozinhos, temos a guerra comercial EUA x China que derrubou o real frente ao dólar, detonou a bolsa de valores, e jogou mais lenha nas incertezas. Do outro lado, a Copa do Mundo chegou para tirar o foco de tudo isso, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) aproveita para abrir a caixa de ferramentas e liberar criminosos do colarinho branco de todas as torcidas. Logo a Copa acabará, de um jeito ou de outro dia 15/07, e estaremos de volta na realidade das eleições, com a necessidade de optar (até agora) entre o ruim e o péssimo, sendo que nenhum dos dois quer enfrentar os graves problemas estruturais e tirar o país do estado vegetativo.

Como fazer planejamento no Brasil?

Reconheço que menti: realmente tenho inveja do ano sabático.

Boa leitura!

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR