A pandemia que parece nunca terminar continua complicando o setor de locação de veículos. Os clientes de terceirização de frota não aceitam a aplicação do IGP-M no aniversário do contrato, e pedem a substituição pelo IPCA. Todavia, os preços dos veículos subiram, e os descontos das montadoras caíram, fazendo com que os veículos tenham aumentado de 25% a 30%, dependendo do modelo, ombreando com o IGP-M dos últimos 12 meses. Por mais que as locadoras aceitem não repassar a integralidade do reajuste contratual isso vai gerar um problema futuro na substituição da frota. Afinal haverá um descompasso grande no valor antigo para o novo, pois não há como absorver os reajustes. Se esse problema não atinge a parte das locações do Rent a Car (RAC), que têm seus valores alterados quase que semanalmente de acordo com a demanda, a falta de veículos novos continua a atrapalhar os negócios. Não é possível assinar contratos de terceirização sem saber quando teremos os veículos e qual será o valor daqui 60, 90, 180 dias. Há meses que as tabelas das montadoras sobem 1,5%, em outros 3,5%. Hoje algumas montadoras sequer aceitam receber pedidos! E com a falta de carros os veículos em utilização estão tendo sua vida operacional alongada o que acarreta aumento nos custos de manutenção. Faltam peças de reposição nas concessionárias e mercado paralelo. Quando são encontradas também estão em média 25% mais caros que no passado recente. Pneus subiram 40% e algumas marcas e medidas estão em falta no mercado há alguns meses.

A crescente alta dos preços também leva a uma pergunta: no médio prazo, daqui 12 ou 18 meses, o mercado estará disposto a pagar o valor que se espera na venda dos veículos usados das locadoras? Porque a renda do brasileiro não está subindo, pelo contrário. A inflação está corroendo o poder de compra e poupança da população. Por mais que a pandemia tenha reduzido as despesas das famílias com lazer, viagens, roupas, material escolar, etc. a escalada dos preços em geral está consumindo a parte que seria destinada à poupança que vem, até o momento, mantendo as vendas de veículos novos e usados em alta. Soma-se a isso o aumento da taxa Selic, que estava no menor patamar histórico. A elevação deve encarecer as prestações dos financiamentos de veículos. Por certo, o comprador de carro usado não deixará de comprar, mas pode levar a aquisição de modelos mais simples ou mais antigos, já que o valor disponível na poupança não acompanhará as altas dos últimos 12 meses.

Está muito difícil traçar qualquer cenário para os próximos meses.

Boa leitura.

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR