Os últimos dois meses foram marcados pelas eleições. Intermináveis “debates” pelo WhatsApp e redes sociais que não raramente acabaram com brigas entre amigos e familiares. Enquanto isso o país ficou em marcha lenta, aguardando o desfecho, que felizmente terminou com o fim de uma era de 16 anos de desagregação do país. Um desmanche moral, ético, familiar, econômico, e grandes amassados na lataria por todos os lados.

Não será em quatro anos que vamos conseguir colocar a casa em ordem, ainda mais considerando o tamanho do estrago feito pela ideologia do atraso que inexplicavelmente ainda encontra respaldo em 45% dos eleitores. Mas tenho a esperança que tenhamos uma guinada de 90º que nos coloque no rumo correto. De certo Bolsonaro não seria a opção racional entre aqueles que têm um pouco mais de informação e cultura, mas foi a solução que o povo encontrou para seus anseios mais básicos. O povo não está preocupado com a cotação do dólar, o índice da bolsa de valores, ou o tamanho do PIB. Isso é muito abstrato. O que a população enxerga é algo muito mais perto de sua realidade: segurança pública, saúde, educação, emprego, transporte público. Não necessariamente nessa ordem, mas são coisas tangíveis que lhes afetam o dia a dia.

Eu acredito que, apesar das conhecidas limitações do novo presidente, o fato de estar rodeado de militares de alta patente é um lado positivo, pois normalmente têm sólida formação acadêmica, senso de patriotismo, responsabilidade e organização, sabem definir metas, fazer planejamento, traçar estratégias, e táticas para atingir seus objetivos. Faltam-lhes, por óbvio, o traquejo político, os bons modos e a paciência, já que na caserna ordem dada é missão cumprida.

Aparentemente existe também o objetivo de nos próximos quatro anos fazer um planejamento estratégico de longo prazo para o país como realizado após 1964 e realizado nos anos 70, quando se investiu fortemente em infraestrutura. E isso é bom pois nos últimos 16 anos o país tem seguido o rumo para onde sopra o vento e não para onde precisamos ir.

O fato de Bolsonaro não ter feito coligações para se eleger também ajuda, apesar de ser quase inimaginável que consiga aprovar alterações significativas na legislação sem alguma composição e concessões no Congresso.

De nossa parte é torcer para que realmente as coisas entrem nos trilhos, que o novo governo faça um governo novo, que tenha em mente a necessidade de criar um ambiente de negócios positivo, com menos burocracia, menos estado, menos impostos, menos estatais, menos roubalheira e corrupção, para que nós possamos focar em nossos negócios e prosperar.

A todos uma ótima leitura!

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR