O “novo normal”, é assim que as pessoas se referem a uma situação que ninguém sabe exatamente como vai ser, se é que vai ser diferente do “antigo normal”. Numa época de tantas incertezas, a única certeza é que ninguém sabe nada. Temos aí algumas indicações, alguns cenários possíveis, mas o comportamento do ser humano é algo totalmente imprevisível.

 As mudanças na sociedade não são forjadas em movimentos bruscos, aos solavancos. Só se estivermos falando de política, de revoluções, o que não é o caso. Estamos falando de usos e costumes. Claro que a falência de alguns negócios que já vinham cambaleantes pode trazer alterações em setores do comércio, como as vendas on-line. Mas as pessoas realmente deixarão de sair de casa para comprar exclusivamente pela internet? Os shoppings deixarão de existir como local de compras? Os restaurantes venderão somente por aplicativos? Os cinemas fecharão porque nos acostumamos com a Netflix? As academias de rua perderam a função quando fomos obrigados a nos adaptar às academias (ruins) nos condomínios? As reuniões não serão mais presenciais graças ao Zoom? O ser humano então deixou de ser sociável para se tornar um animal enjaulado?

 Por mais que o uso da tecnologia tenha se popularizado e esteja mais presente na vida das pessoas, possibilitando o acesso a produtos e serviços até mais baratos, qual a certeza de que esse modo de vida é algo que as pessoas querem? Afinal, quanto um abraço no Dia dos Pais pode ser substituído por uma teleconferência? Quanto uma criança ou adolescente perde de seu processo de amadurecimento quando não tem o convívio com seus colegas e professores porque tem videoaulas? As pessoas não vão mais viajar de avião, o turismo daqui para frente será só até onde eu aguentar dirigir? Quanto uma empresa perde de eficiência e criatividade na medida que seus funcionários estão em teletrabalho? Sim, muitas empresas se desenvolvem quando seus colaboradores estão trocando informações de maneira informal, nas conversas do almoço, no happy hour, na chegada ou na saída, conversando sobre coisas banais quando acham a solução de problemas complexos.

 À medida que os funcionários ficam espalhados, sem o contato humano, viram apenas máquinas que simplesmente cumprem tarefas distribuídas por líderes “iluminados” na empresa. Se esses líderes não estiverem inspirados, como as peças irão trabalhar?

 Todo gestor sabe que um colaborador vale pelo que produz, mas vale mais se tem condições de produzir mais, melhor, e, principalmente, se consegue desenvolver pessoas e novos processos, inovar. E identificar esse potencial não é algo que se consiga fazer somente em ligações com vídeo, é preciso observar o colaborador sendo o ser humano que é, interagindo com as pessoas de carne e osso durante muito tempo.

 Pelas melhores previsões teremos uma vacina em larga escala disponível em janeiro/2021. Provavelmente será como nos tirar de uma jaula e sairemos dela como um animal depois de muito tempo recluso, ressabiados, olhando cautelosamente para os lados, para depois sair correndo atrás do tempo perdido. Vamos em frente.

 

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR