A incompetência brasileira deveria ser objeto de estudo científico. É impressionante a incapacidade da maioria daqueles brasileiros que se dizem profissionais em realizar com perfeição as mais básicas tarefas que se propõem. O que se vê diariamente são fornecedores que ao serem contratados têm apenas dois objetivos em mente: terminar o serviço e receber por ele, não necessariamente nessa ordem. Se puderem receber sem terminar é ainda melhor (para eles). E não é questão de preço, pois mesmo pagando caro somos aborrecidos pela falta de profissionalismo, pelo atraso, pelas surpresas escondidas no orçamento e pelo pior de tudo: a incapacidade de fazer bem feito aquilo que se propôs.

Quando lemos que um operário americano tem uma produtividade cinco vezes maior do que a do brasileiro, é difícil imaginar como isso é calculado, mas basta assistir a um programa de TV daqueles que mostram os americanos reformando uma casa de uns 200 m2, do piso ao teto, em 15 dias e tentar fazer algo parecido aqui para entender do que essas pesquisas estão falando. Conclui-se que talvez seis meses não sejam suficientes e que cinco vezes mais produtivo é um número ridiculamente baixo. Cada trabalho em uma reforma no Brasil é feito e refeito ao menos duas vezes, o que não significa que vai ficar bem executado.

E muitas vezes o problema não está só na baixa escolaridade do “profissional” que não consegue ler e entender um manual de instruções. Está também na incapacidade de compreender a finalidade do trabalho, no impacto nas atividades dos outros. No governo vemos isso com frequência. Coisas que funcionam mais ou menos são substituídas por coisas que nunca irão funcionar, ou serão muito piores do que antes. E nós não sabemos se isso se deve a algum motivo obscuro, como alguém ganhando dinheiro com essa complicação, ou é fruto de incompetência pura e simples.

Agora mesmo estamos às voltas com o e-Social, um sistema (mais um) inventado pelo governo para policiar a relação das empresas e empregados. O pessoal de RH das empresas e contadores precisam de um curso quase no patamar de um astronauta para operar a traquitana. Todos reclamam dos problemas para decifrar como utilizar o sistema concebido por burocratas e analistas de sistemas que jamais criaram um emprego produtivo, nunca viram uma carteira de trabalho. Com certeza o resultado de mais um trabalho de incompetentes.

Boa leitura!

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR