Lá se foi 2020 sem deixar saudades. Ano difícil que exigiu muita criatividade e rapidez na adaptação ao mercado em meio a pandemia. Decisões que inicialmente pareciam acertadas depois se mostraram equivocadas, e vice-versa. Foi uma administração de bombeiro em terremoto. Praticamente não deu para saber por onde começar a cuidar de tantos problemas. Funcionários contaminados, fecha tudo, fornecedores parados, clientes devolvendo veículos, vende carro parado, cai o preço do usado, abre tudo, clientes voltam, compra carro para atender demanda, não tem carro, sobe o preço do carro usado, sobe preço da locação, sobe na lua o preço do carro 0km, sobe preço das peças e insumos, faltam peças, IGP-M de 25%, vem segunda onda de Covid, fecha de novo, ufa.

E não adiantou tentar subir mais alto para ver em volta, pois era muita poeira, sem possibilidade de enxergar.

Na plano macro mais um ano perdido. Sem reforma administrativa ou tributária, sem privatizações. Endividamento público de quase 100% do PIB deixa sem espaço o orçamento para novo auxílio emergencial em 2021, e o governo já não disfarça a vontade de colocar nova CPMF.

Dólar saiu de 4,00 em janeiro chegou a 5,97 e recuou a 5,05 em dezembro, e a Selic fechou a 2%a.a. Deveria ter ajudado a economia com maiores exportações e investimentos do setor privado, porém no meio de tantas incertezas não deu muito certo. Vamos continuar improvisando na economia, tentando trocar o pneu com o carro andando.

No nosso mercado o ano foi marcado pela aquisição da Unidas pela Localiza, que criou uma das maiores empresas do mundo e agitou o setor, que ainda não consegue ver qual será o impacto da empresa no mercado após a unificação das operações. No campo jurídico o STF ainda não conseguiu se entender quanto ao IPVA, emitindo sentenças ambíguas quanto ao local onde os veículos devem pagar o tributo deixando ainda maior a insegurança jurídica sobre o tema. O STF também definiu que veículos de locadoras devem ficar 12 meses no ativo imobilizado, sendo que a venda antes do prazo requer o pagamento do ICMS sobre a diferença entre o valor da nota fiscal e o de tabela da montadora. Fica o alerta.

Enfim vamos ver se em 2021, com vacina, voltamos a ter alguma possibilidade de enxergar 3 meses à frente para ter um mínimo de planejamento.

Desejamos um 2021 com muita saúde para todos, porque o resto já aprendemos a lidar.

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR