O mercado de locação de veículos segue encontrando dificuldades para conseguir veículos para atender à demanda e substituir frota em fim de vida útil. O alongamento da utilização dos veículos traz aumento dos custos com manutenção e insatisfação de clientes acostumados a carros novos. O aumento constante nos preços por parte das montadoras, aliado à redução nas políticas de descontos e à alta nas taxas de juros de financiamento, também traz cenário desafiador ao setor que não está conseguindo repassar o aumento dos custos nos contratos de terceirização, criando um desequilíbrio econômico difícil de ser resolvido na renovação do contrato.

As informações que recebemos é de que, com a falta de semicondutores atrapalhando a produção, as montadoras continuarão a reajustar os valores até que o mercado encontre o ponto de equilíbrio (pare de comprar). Alguns modelos de veículos que dispunham de equipamentos eletrônicos modernos desde a versão de entrada, já são vendidos sem esses itens tanto no Brasil como no exterior. Foram suprimidos conexão wi-fi, botão de partida, chave presencial, discagem de emergência e outros mimos que até ontem eram objeto de desejo do consumidor.

Também podemos observar claramente a opção das grandes montadoras em disponibilizar preferencialmente ao mercado os veículos com maior valor agregado, os topo de linha, em detrimento das versões de entrada e modelos populares. É um movimento natural, buscando a maior rentabilidade possível sem olhar para a participação de mercado, mas que vai deixar uma lacuna gigante no setor de veículos de entrada para os próximos dois anos, o que indica que não haverá queda no valor dos veículos durante esse período. Provavelmente o mercado vá se estabilizar num patamar bastante alto e somente irá encontrar nova acomodação com a regularização do fornecimento de insumos para a indústria automotiva e/ou com a entrada de novos players, principalmente as montadoras chinesas. Mas isso, ao que tudo indica, vai levar um tempo razoável. Esse cenário deve obrigar as locadoras de veículos a ter que se ajustarem a novas políticas de descontos reduzidos de montadoras, rever suas estratégias de desativação de frota e precificação de locação. Existe a grande possibilidade de que com a redução dos descontos para aquisição de frota aconteça a necessidade de grandes locadoras terem que focar novamente na rentabilidade vinda da locação, em detrimento daquelas oriundas meramente da venda de ativos. A conferir!

Boa leitura!

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR