O ano de 2017 acaba com a economia em recuperação em alguns setores e fica marcado pela aprovação da reforma trabalhista, as delações, as malas de dinheiro pela rua, e a não votação da tão necessária reforma da Previdência. O setor automobilístico vem apresentando números melhores todos os meses, muito influenciado pelas exportações e venda a frotistas e locadoras é verdade, mas também com um movimento maior nas concessionárias. E esse último é um bom termômetro. Quando a venda a varejo sobe é sinal de aumento da confiança do consumidor e dos bancos que começam a aprovar cadastros e liberar crédito.

Para 2018 imaginamos que a baixa na Selic, que bateu no menor nível histórico, deve estimular os bancos a facilitar o crédito e a emprestar mais para o consumidor final, já que o governo que é o maior cliente dos bancos está pagando menos. Esse movimento de oferta de crédito deve estimular também a construção civil, que é grande gerador de empregos e bom motor da economia. Mas se isso dinamiza a economia, deve servir de alerta para quem trabalha na terceirização. Os preços dos veículos seminovos vêm se mantendo em alta por conta da crise iniciada em 2014, que derrubou as vendas de novos em 2015, 2016 e meados de 2017. Com o preço dos novos nas alturas, resta ao consumidor buscar seminovos. Como a matéria-prima dos seminovos é a venda de novos, e essa não aconteceu, vivemos um período atípico de valorização dos usados que vem ajudando nos resultados das locadoras. Todavia, com o aumento da liquidez e queda nos juros deveremos ter parcelas menores que caberão no bolso do consumidor ávido por trocar seu veículo. Assim a provável retomada de venda de novos deve frear o preço dos usados e, naturalmente, em meados de 2019 derrubar os preços a níveis de equilíbrio histórico de mercado. Quem achar que a atual valorização dos usados vai se perpetuar e que isso vai compensar eventuais valores baixos de locação pode ter problemas de resultados logo à frente. Também devemos observar que historicamente taxas de juros menores significam também menos terceirização e mais aquisição de veículos por empresas privadas.

Entrou em vigor a resolução do Contran que determina a implantação até 2019, em todo o país, de vistoria veicular obrigatória a cada dois anos. Estão de fora veículos com até dois anos de idade, porém a resolução não é clara quanto ao momento em que essa idade é computada. Para as locadoras entendemos que o ideal é que o prazo seja maior, de 36 meses, uma vez que vários contratos de terceirização têm esse prazo, o que pode gerar diversos transtornos para o cumprimento da obrigação principalmente quando os veículos estão distribuídos por várias cidades/estados. Nossos representantes na Fenaloc já foram acionados para, trabalhando em conjunto às empresas de transporte de cargas e passageiros, tentar conseguir que o prazo da primeira inspeção seja após 36 meses. No estado do Rio de Janeiro já há um precedente e as vistorias são apenas para veículos com mais de cinco anos de uso.

Boas festas e um 2018 de saúde e prosperidade.

Michel Lima

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR