Com a retomada da produção de veículos, as locadoras podem salvar a venda de carros das montadoras nesse ano. O excedente de produção é reflexo de uma retração de compra do varejo, pois o mercado pouco aquecido é consequência dos altos juros e preços altos.

A Anfavea já informou que a demanda represada das locadoras atingiu a 600 mil veículos leves, uma vez que durante a pandemia as fábricas não conseguiram atender todas as encomendas, principalmente por falta de componentes eletrônicos, os semicondutores. Por outro lado, a queda nas vendas está na ordem de 25% no comparativo com o ano passado. O número mais baixo dos últimos seis anos.

Já a indústria de veículos brasileira despontou o crescimento, somando a produção 888,1 mil veículos em 2022, e a venda 740 mil no mercado interno. Somente maio desse ano apresentou queda de 2,4% de venda de automóveis e veículos comerciais leves, no comparativo com o mesmo mês do ano passado.

Os números podem estar associados principalmente à decisão que as montadoras tomaram, em adicionar os semicondutores a veículos de valor mais alto, para obter mais lucro, ao agregar valor nestes veículos. O reflexo foi a venda menor, e, por consequência uma nova retração na produção.

Como a tendência de compra na retomada pós-pandemia foi grande, pois muitas pessoas precisavam adquirir veículos nesse período, para as montadoras não seria vantagem vender veículos mais em conta para as locadoras, apostando assim, naqueles de preço cheio.

No entanto, o setor precisa dos chamados carros de entrada, que nos dão mais rentabilidade. Por isso é importante que as montadoras avaliem esse cenário ao nosso atendimento. Se na pandemia não conseguiram atender aos nossos pedidos, hoje as condições estão mudando, com base nessa nova posição de mercado.

Não podemos afirmar ainda que está sobrando carro, mas sim que a produção já está um pouco maior, frente a um cenário desfavorável de compra, o que poderá gerar um excedente às locadoras. Assim, podemos considerar que nessa recessão, as locadoras sejam a salvação das montadoras. Notamos também que os prazos de entrega de veículos já estão diminuindo. Se na pandemia levavam 180, 210 até 240 dias para entrega dependendo do modelo do carro, agora o tempo baixou para 60 a 90 dias.

Com esses novos rumos, percebemos a mudança de cenário. Ainda com diversos obstáculos a serem ultrapassados, há otimismo para o setor de locação. Outras matérias dessa edição seguem nesse sentido, com as principais novidades que impactam diretamente as locadoras.

A todos, uma ótima leitura.

Claudio Rigolino

Presidente do Sindicato das Empresas Locadoras de Veículos Automotores, Equipamentos e Bens Móveis do Estado do Paraná – Sindiloc PR